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O Presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Ceará (CRMV-CE), Dr. Francisco Atualpa Soares Junior, representou o Presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), Dr. Francisco Cavalcanti de Almeida, durante o lançamento da Campanha Nacional de Encoleiramento dos Cães para o Controle da Leishmaniose Visceral (LCV), conhecido popularmente como calazar, nesta quinta-feira (12/08), em Fortaleza/CE. Ao todo, o Ministério da Saúde irá distribuir mais de 1 milhão de coleiras impregnadas com inseticida “deltametrina 4%” para controlar a disseminação da leishmaniose visceral (LV). A pasta investiu mais de R$ 16 milhões na aquisição das coleiras como parte do processo de incorporação do insumo no controle da doença no Sistema Único de Saúde (SUS).

“A escolha do Ministério para encoleirar os animais em massa é uma luta antiga da classe médica-veterinária, atrelada à saúde pública. Ela permite a quebra de um ciclo quando o cão não adquire a doença, e, assim, o ser humano também não é comprometido. Por isso, hoje, me sinto muito grato em representar o CFMV e mostrar o quanto o Conselho Federal foi importante nessa luta, sendo coroado com esse lançamento nacional em Fortaleza”, destacou Francisco Atualpa Soares Júnior, representante do CFMV no evento e Presidente do CRMV-CE.

As coleiras serão distribuídas, neste primeiro momento, a 133 municípios prioritários, de 16 estados, classificados com transmissão alta, intensa e muito intensa. A estratégia de uso das coleiras em cães se baseia na abordagem Saúde Única, que visa proteger a saúde dos animais e dos seres humanos.

Em Fortaleza, foi apresentada a proposta metodológica de incorporação das coleiras impregnadas como nova ferramenta de controle da doença nos municípios prioritários. A incorporação motivou a inclusão inédita de uma meta de redução de casos de LV em humanos no Plano Nacional de Saúde (2020-2023).

Cássia Rangel Fernandes, Diretora do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, compartilhou a importância do programa. “Essa ação do encoleiramento vem atender o fortalecimento de uma saúde única, com a prevenção da doença tanto na população humana, quanto canina, sendo extremamente importante. Essa estratégia foi realizada através de evidências científicas, estudo e tem um custo e efetividade inovador, trazendo redução tanto da mortalidade quanto da doença”, completou.

O Brasil é o primeiro país no mundo a incorporar essa tecnologia como medida de saúde pública para o controle da leishmaniose. Essa incorporação se baseia em evidências científicas, com dados de estudos de efetividade e custo-efetividade e foi amplamente discutida com grupos de especialistas e com representantes das três esferas de Governo - Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

O evento contou também com a participação de representantes do Ministério da Saúde, Cássia Rangel Fernandes, Diretora do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde; Da Secretária Municipal de Saúde de Fortaleza, Ana Estela Fernandes; do Presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Wilames Freire; de Luiz Oswaldo Rodrigues, representante da Secretaria de Saúde do Estado (SESA); de Nélio Morais, Presidente da Comissão Nacional de Saúde Pública Veterinária (CNSPV) do CFMV e Coordenador de Vigilância em Saúde de Fortaleza; entre outros.

Como as coleiras funcionam?

As coleiras são utilizadas em cães no Brasil desde 2007 como ferramenta individual de controle da leishmaniose visceral. Em contato com a pele, promove uma lenta liberação do princípio ativo (deltametrina 4%) repelindo a aproximação do vetor de transmissão da doença. Esta ação interrompe o ciclo de transmissão do parasita, e consequentemente o risco de infectar outro animal ou ser humano.

Por se tratar de um insumo com liberação ativa de inseticida é recomendada a troca da coleira a cada 6 meses e seu uso é exclusivo para cães. Não é recomendado que a coleira impregnada com inseticida seja utilizada em cães já diagnosticados com a doença.

Acesse aqui a nota técnica.

Encoleiramento em Fortaleza -  Cerca de 90 mil coleiras repelentes serão aplicadas nos cães de 35 bairros da Capital cearense

As ações implementadas pela Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS) e Coordenadoria de Vigilância em Saúde (COVIS), com resultados positivos durante os últimos oito anos, levaram a Capital cearense a ser escolhida como sede para o lançamento da campanha nacional de encoleiramento de cães contra a LVC. Estão previstas, para a primeira etapa, a entrega de cerca de 90 mil coleiras.

A distribuição das coleiras será realizada através de busca ativa durante todo o segundo semestre de 2021, pelos Agentes de Endemias. Foram escolhidos 35 bairros com maior incidência de calazar, de acordo com a recomendação do Ministério da Saúde.

Leishmaniose Visceral (calazar)

A Leishmaniose é transmitida por picada de um flebótomo contaminado (conhecido como mosquito palha) e pode acometer cães e humanos. Alguns sintomas que podem levar o proprietário a desconfiar que o animal está doente são: descamação seca da pele, pêlos quebradiços, nódulos na pele, úlceras, febre, atrofia muscular, fraqueza, anorexia, falta de apetite, vômito, diarreia, lesões oculares e sangramentos.

O combate ao inseto vetor deve ser feito com aplicação de inseticida no ambiente e o uso de produtos repelentes no cão. Além disso, as pessoas devem evitar deixar os animais em ambientes úmidos e que acumulem material que possa facilitar a criação do mosquito.

Nos últimos oito anos, houve uma redução contínua e progressiva dos casos de LVC em humanos em Fortaleza, associada à redução dos casos em cães. Os testes realizados nas Unidades de Vigilância e os Boxes de Zoonoses (UVZ), além da qualificação dos Agentes de Combate às Endemias (ACEs) e conscientização da população, tiveram um importante papel nessa redução, permitindo um melhor direcionamento das ações estratégicas para o alcance do controle.

Comparando os períodos compreendidos entre 2005-2012 e 2013-2020, a queda no número de casos humanos foi de 58%, demonstrando que as ações de controle do reservatório e do vetor executadas, de forma regular e contínua, podem garantir avanços e respostas mais efetivas ao combate à Leishmaniose.

Bairros de Fortaleza contemplados com a distribuição de coleiras repelentes

Ancuri

Barra do Ceará

Barroso

Bela Vista

Benfica

Bom Jardim

Bom Sucesso

Coaçu

Conjunto Ceará I

Conjunto Ceará II

Cristo Redentor

Curió

Jardim América

Jardim das Oliveiras

Jardim Iracema

José Walter

Fátima

Granja Portugal

Manoel Sátiro

Messejana

Padre Andrade

Pan Americano

Parque Dois Irmãos

Parque Genibaú

Parque Presidente Vargas

Parque Santa Rosa

Parque São José

Paupina

Pici

Planalto Ayrton Senna

Praia de Iracema

Praia do Futuro I

Quintino Cunha

Rodolfo Teófilo

Siqueira

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